31 de out. de 2010

Pesquisas mostram vantagem de Dilma de 10 pontos

As últimas pesquisas Ibope e Datafolha antes da eleição no domingo mostraram folgada liderança de Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB).

Segundo dados divulgados no site G1 neste sábado, o Datafolha mostrou a petista com 51 por cento das intenções de voto contra 41 por cento do tucano. Os indecisos somaram 4 por cento, o mesmo percentual de brancos e nulos.

Já o Ibope trouxe Dilma com 52 por cento das intenções de voto e Serra com 40 por cento. Os indecisos ficaram em 3 por cento e brancos e nulos, 5 por cento.

A margem de erro das duas pesquisas é de 2 pontos percentuais.

Considerando-se apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, no Datafolha Dilma tem 55 por cento e Serra 45 por cento. Já no Ibope, a petista soma 56 por cento e o tucano 44 por cento.

O Datafolha ouviu 6.554 pessoas entre sexta-feira e este sábado. O Ibope entrevistou 3.010 pessoas no sábado.

Mais cedo, o site iG informou que pesquisa Vox Populi trouxe Dilma com 51 por cento das intenções de voto contra 39 por cento de Serra. Indecisos somaram 5 por cento, mesmo percentual de brancos e nulos. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.

O site da Confederação Nacional do Transporte (CNT) trouxe a última sondagem do instituto Sensus: Dilma 50,3 por cento e Serra 37,6 por cento. Brancos e nulos somaram 4,1 por cento e indecisos, 7,9 por cento, com margem de erro de 2,2 pontos.

30 de out. de 2010

CNT/Sensus: Dilma lidera com 50,3% e Serra tem 37,6%

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 50,3% das intenções de voto, ante 37,6% das intenções no candidato José Serra (PSDB), segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada neste sábado. Na pesquisa anterior, divulgada no dia 27, Dilma tinha 51,9% da preferência dos eleitores, enquanto Serra era o preferido de 36,7%.

Considerando-se apenas os votos válidos, ou seja, excluindo-se nulos e brancos e redistribuindo-se os indecisos proporcionalmente, Dilma tem 57,2% (58,6% no levantamento anterior) e Serra, 42,8% (ante 41,4%).

A rejeição à candidata petista subiu para 34,1% do eleitorado, ante 32,5% no levantamento anterior. Já a rejeição a Serra recuou de 43% para 41,7%.

A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos porcentuais, para baixo ou para cima.

O levantamento foi feito com 2 mil eleitores, entre os dias 28 e 29 de outubro, em 136 municípios e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37919/2010.

Último debate foi marcado pela diplomacia entre os candidatos à presidência

O último ato da campanha eleitoral não refletiu o acirramento do segundo turno - no debate na TV Globo, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram se atacar e, por causa do formato do programa, não abordaram temas polêmicos.

Em desvantagem nas pesquisas, Serra só fez críticas a Dilma e ao governo de forma indireta. Quando questionado sobre o tema corrupção, por exemplo, ele não citou o escândalo que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil - em debates anteriores, o tucano sempre ressaltou as ligações entre a ex-ministra e a candidata do PT.

Dilma, que no começo do segundo turno adotou um discurso mais incisivo para barrar a eventual ascensão do adversário, também mudou de tom. No programa desta sexta-feira, ela evitou mencionar o tucano e procurou destacar realizações do governo Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal cabo eleitoral.

No programa, os candidatos foram sabatinados por eleitores indecisos que compareceram aos estúdios da Globo. Eles responderam a perguntas sobre segurança, saúde, educação e outros temas relacionados ao cotidiano da população. Não houve questões sobre privatizações, pré-sal e legalização do aborto, assuntos que foram destaque na campanha da segunda rodada da eleição.

A respeito da corrupção, Serra destacou que ela chegou a 'níveis insuportáveis'. Como forma de combater as irregularidades, o candidato destacou a necessidade de fortalecer as instituições fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público. 'O exemplo tem de vir de cima. É preciso escolher bem as equipes e ser implacável com quem comete irregularidades, não passar a mão na cabeça', afirmou.

Dilma, na réplica, destacou a atuação da Polícia Federal no combate a casos de corrupção. Também apontou a importância da Controladoria Geral da União, órgão ligado à Presidência, 'que foi responsável pela investigação no caso dos sanguessugas' - quadrilha que desviava verbas do Ministério da Saúde.

Em diversos momentos, a petista e o tucano apresentaram discursos convergentes. Ambos, por exemplo, destacaram a necessidade de valorizar os salários dos professores de escolas públicas e de reforçar o Sistema Único de Saúde.

Em relação à segurança pública, Serra defendeu a priorização do combate ao contrabando de armas e drogas. Defendeu ainda a formação de um cadastro nacional de criminosos, para que as forças de segurança dos distintos Estados tenham condições de monitorar a ação de quem cometeu crimes fora de sua área de abrangência.

Dilma afirmou que esse cadastro já existe, e que há iniciativas do governo para ampliar o banco de dados com informações da Justiça e do sistema penitenciário.

Em outro momento, a candidata do PT defendeu de forma enfática a desoneração da folha de pagamentos no País como forma de aumentar a criação e a formalização de empregos no País.

Serra, sobre esse tema, adotou tom mais cauteloso. 'Vamos tirar o quê? O Fundo de Garantia, o INSS? Isso tem de ser muito meditado, porque não se pode perder receita.'

O tucano criticou a política de saúde do atual governo, mas sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 'Nossa saúde andou para trás, o governo federal encolheu os recursos que empregava', afirmou.

A candidata petista reconheceu a existência de falhas no setor. 'Temos problemas sérios de qualidade, e se a gente não reconhecer, não melhora.' Ela prometeu criar unidades de pronto-atendimento que funcionem 24 horas por dia para desafogar os hospitais públicos.

Em relação às políticas sociais, Serra defendeu a interligação do Bolsa-Família com programas federais como o Saúde da Família. Também apontou a necessidade de investir em ensino profissionalizante e de criar outros estímulos para que as famílias progridam e não dependam da ajuda federal.

Nesse momento, Dilma fez uma crítica indireta ao adversário, ao afirmar que 300 mil famílias pobres em São Paulo não recebem o Bolsa-Família por falta de cadastramento - função que seria do Estado e dos municípios. 'Em São Paulo, quem cuida dos pobres é o governo federal.'

Irmã Dulce será beatificada





A Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano reconheceu dia 27, por meio de voto favorável e unânime do colégio de cardeais e bispos, a autenticidade de um milagre atribuído à Irmã Dulce. Esta é a última etapa do processo de beatificação da religiosa.

O anúncio foi feito pelo Arcebispo Primaz do Brasil, D. Geraldo Majella Agnelo, em coletiva realizada na sede das Obras Sociais Irmã Dulce em Salvador. De acordo com o cardeal, o papa Bento XVI assina o decreto oficializando a concessão do título de Beata ou Bem-aventurada à freira baiana antes do Natal.

Com o reconhecimento final do Papa, Irmã Dulce passará a se chamar "Bem-aventurada Dulce dos Pobres". A concessão do título de Beato ou Bem-aventurado é o reconhecimento de que a pessoa viveu as virtudes cristãs em "grau heróico".

Um dia após o decreto papal, o processo de canonização já pode ser iniciado. A cerimônia de beatificação do Anjo Bom do Brasil está programada para o primeiro semestre de 2011, no Parque de Exposições da capital baiana. Os seguidores de Dulce preparam uma festa para a beatificação. Segundo D. Geraldo, o evento deve contar com a presença do presidente da Congregação para a Causa dos Santos, o arcebispo italiano d. Angelo Amato.

Comprovação

O milagre validado pelo Vaticano passou por três etapas de avaliação: uma reunião com peritos médicos (que deram o aval científico), com teólogos, e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício, tendo sua autenticidade reconhecida de forma unânime em todos os estágios do processo.

Uma graça só é considerada milagre pelo Vaticano após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural (não explicado pela ciência).

O milagre atribuído a Dulce, morta em 1992, aos 77 anos, ocorreu em 2001, no interior baiano, após uma mulher sofrer uma hemorragia pós-parto e ser desenganada pelos médicos.

A família chamou um padre e fez orações dirigidas a Dulce. O sangramento foi estancado e a mulher, que não tem a identidade revelada pelo Vaticano, foi curada. O acontecimento passou a ser estudado pelo Vaticano no ano seguinte.

Em 2003, o evento foi validado juridicamente pela Igreja e foi analisado por médicos, por teólogos e pelo colegiado dos cardeais. Nas três, a confirmação do milagre foi unânime.

"Em um período de 18 horas, a paciente chegou a passar por três cirurgias, mas o sangramento não cessava. Contudo, sem nenhuma intervenção médica, a hemorragia subitamente parou e a paciente passou a ter uma impressionante recuperação", afirmou o médico Sandro Barral, um dos peritos que participou do processo de análise do milagre.

Conforme relatos da época, o fim do sangramento ocorreu no mesmo instante em que um grupo de orações pedia a intercessão de Irmã Dulce em favor da parturiente. "A corrente de orações foi proposta por um sacerdote, contemporâneo de Irmã Dulce, que chegou, inclusive, a enviar para a família dela um pedaço de tecido do hábito (relíquia) que pertenceu à religiosa", comenta o assessor de Memória e Cultura das Obras, Osvaldo Gouveia.

Ao ser chamado à casa da parturiente, o médico achou que estava indo assinar seu atestado de óbito, em virtude da gravidade da situação, mas ao chegar ao local encontrou a mãe já recuperada e com o bebê em seus braços. A identidade da paciente e o local do milagre só serão revelados um mês antes da cerimônia de beatificação.

Canonização

Fase diocesana
Ocorre na diocese onde morreu o candidato. Comissão nomeada começa a reunir os testemunhos

Fase romana
Os documentos seguem para o Vaticano, onde serão examinados pela Congregação das Causas dos Santos. Após esta etapa, é nomeado um relator

A Positio
Com base nos documentos, que resumem a vida a vida e os testemunhos sobre as virtudes do candidato, a Congregação faz o seu julgamento sob os pontos de vista histórico e teológico. Com a positio aprovada, o candidato torna-se venerável

Beatificação
Para ser reconhecido como beato, o venerável precisa de um milagre que satisfaça as condições de instantaneidade (ocorrido logo após o pedido), perfeição (atendido completamente), durabilidade (a cura permanente) e preternaturalidade (a ciência não explica).

Canonização
Ocorre com a confirmação de um segundo milagre. Então, o beato se torna um santo.

VOCAÇÃO
´Anjo Bom´ dedicou a vida aos pobres

Salvador. Conhecida como o "Anjo Bom da Bahia", Irmã Dulce nasceu em Salvador, no dia 26 de maio de 1914, e recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes.

Aos 13 anos, ela começou a praticar a caridade ajudando os mendigos das ruas de Salvador. Ela recebia os necessitados na casa de sua família, que ficou conhecida na época como a "Portaria de São Francisco", devido ao grande número de pessoas carentes que se aglomeravam à porta.

Devota de Santo Antônio, a religiosa costumava rezar muito e pedir sinais da sua vocação religiosa. Ainda com 13 anos, ela foi recusada pelo Convento do Desterro por ser jovem demais e continuou a estudar.

Seis anos mais tarde, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, em Sergipe. Após seis meses de noviciado, tomou o hábito de freira. No dia 15 de agosto de 1934, ela fez sua profissão de fé e voltou à Bahia.

Irmã Dulce dedicou a sua vida aos necessitados. Começou sua obra ocupando um barracão abandonado para abrigar mendigos e chegou a receber o papa João Paulo II quando ele esteve no Brasil, devido ao seu trabalho com idosos, doentes, pobres, crianças e jovens carentes.

Em 1990, a religiosa começou a apresentar problemas respiratórios sendo internada no Hospital Português e depois transferida à UTI do Hospital Aliança e finalmente ao Hospital Santo Antônio.

Durante a visita do papa Bento XVI ao Brasil em 2007, o então governador de São Paulo, José Serra, enviou uma carta pedindo a beatificação da religiosa brasileira.

A freira morreu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos. Em junho deste ano, o corpo de Irmã Dulce foi exposto ao público pela última vez antes de ser transferido para um túmulo lacrado na Capela das Relíquias, em Salvador. Exumado em maio, o corpo da religiosa estava mumificado e seu hábito (traje de freira), preservado.

SEGUIDORES
Cearenses relatam histórias de milagres

A notícia da beatificação da Irmã Dulce foi recebida com satisfação também no Ceará, por voluntários da causa e do trabalho social que foi um dos legados que a religiosa baiana deixou. A filósofa Karla Feitosa, que participa de um grupo de oração ligado à memória de Irmã Dulce, diz que com este último passo dado pelo Vaticano, espera para breve a canonização.

"Ela foi uma pessoa que exerceu bem as três virtudes cristãs, que são a fé, a esperança e a caridade. Independente de religião, ela foi uma pessoa que só fez o bem", diz Karla Feitosa. A filósofa tem sua própria história de milagre atribuído à Irmã Dulce. Karla conta que em 2006 ficou cega do olho esquerdo, após ser atingida por uma bola de tênis. O problema originou um cisto e a conclusão era de que ela teria de colocar um olho de vidro. Mas isso acabou não sendo preciso. Uma cirurgia bem-sucedida, a qual ela atribui como um milagre de Irmã Dulce, conseguiu recuperar 85% de sua visão. "Entrei no centro cirúrgico com um véu que pertenceu à Irmã Dulce e o médico rezou antes de começar a cirurgia", conta.

O advogado e empresário Mauro Feitosa, embaixador das Obras Sociais de Irmã Dulce no Ceará, também relata a recuperação de seu filho, que aos 13 anos apresentou um quadro de tumor no cérebro. Em São Paulo, onde foi fazer a cirurgia, recebeu uma relíquia da religiosa baiana. "A cirurgia que era para durar 15 horas acabou durando três horas e meia. O tumor que era maligno se transformou em benigno", conta. O relato da cura foi enviado a Salvador, para compor o processo de beatificação. Em homenagem à trajetória de milagres da religiosa, Feitosa também foi um dos criadores do grupo de oração "Anjos de Irmã Dulce", no ano de 2003.

"O grande milagre foi a obra social que ela deixou. No coração já temos Irmã Dulce como santa. A beatificação é um momento de muita alegria. Será a primeira santa nascida no Brasil. E, melhor ainda, nascida no Nordeste", diz.

FILANTROPIA
Instituição ajuda pessoas carentes

Salvador. Em 1959, a religiosa baiana fundou as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), que são uma instituição filantrópica, de fins não econômicos, de perfil operacional único no Brasil.

A instituição desenvolve em seus 13 núcleos ações nas áreas de Saúde, Assistência Social, Educação, Pesquisa Científica, Ensino Médico e Memória, incluindo em seu painel de serviços atividades que vão do atendimento básico à pesquisa de ponta. As Osid é reconhecida como uma entidade que congrega a excelência técnica e o pioneirismo em práticas de humanização no atendimento à população de baixa renda.

A organização tem sua estrutura física dividida entre o Complexo Roma, em Salvador, onde estão localizados os serviços de saúde e assistência social, e o Centro Educacional Santo Antônio, no município de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador. É constituída operacionalmente por núcleos que prestam assistência médica, social e educacional à população em geral.

A partir de 2005, a instituição passou a atuar também na gestão de centros de saúde do município de Salvador e hospitais construídos pelo governo do estado.

Em fevereiro de 2008, as Osid receberam em fevereiro de 2008 em Madri, Espanha, o Prêmio Rainha Sofia de Reabilitação e Integração 2007, um dos mais importantes do mundo na área social.

A organização também ganhou, em 2006, o Prêmio Gestão Qualidade Bahia (PGQB)na categoria Nível I. O PGQB reconhece as organizações que investem na excelência de gestão com o objetivo de atender às necessidades de suas partes interessadas e tem como referência os Critérios de Excelência do PNQ - o Prêmio Nacional da Qualidade.

29 de out. de 2010

A candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, aumentou a vantagem sobre seu adversario, José Serra do PSDB

Pesquisa Ibope de intenções de voto divulgada nesta quinta-feira (28) e encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo mostra Dilma com 57% e Serra com 43%, enquanto na mostra anterior ela tinha 56% e ele apresentava 44% - uma diferença de 12 pontos.

Se considerados também votos brancos ou nulos, a diferença subiu de 11 para 13 pontos porcentuais - a petista aparece com 52%, enquanto o tucano figura com 39%.

Confira os dados da pesquisa passada

Na última mostra, divulgada no dia 20, a Dilma tinha 51% e Serra, 40% das intenções de voto. Na comparação com a última sondagem, o total de eleitores que dizem votar em branco ou nulo se manteve em 5%, assim como aqueles que se dizem indecisos seguiu em 4%.

A pesquisa Ibope foi realizada entre os dias 26 a 28 de outubro e ouviu 3.010 eleitores. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o protocolo número 37.596/2010.

28 de out. de 2010

Dividido, Supremo decide que Lei da Ficha Limpa vale já para eleições 2010

Pressionados por um novo empate no julgamento da Lei da Ficha Limpa, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) adotaram uma solução 'caseira' para barrar a candidatura de Jader Barbalho (PMDB-PA) ao Senado. A decisão, de acordo com o presidente do STF, Cezar Peluso, mantém a lei em vigor e se aplica a todos os casos semelhantes, em que políticos renunciaram ao mandato para fugir de processos de cassação.

O próximo atingido por essa decisão será Paulo Rocha (PT-PA), que renunciou ao mandato de deputado em razão do escândalo do mensalão e foi barrado pela Justiça Eleitoral. O petista concorreu e ficou em terceiro na briga por uma das duas vagas do Pará no Senado e, com Jader excluído, seria o herdeiro natural do posto.

A Justiça Eleitoral ainda terá de definir se a quarta colocada, Marinor Brito (PSOL), que não foi atingida pela Lei da Ficha Limpa, assumirá a vaga ou se novas eleições serão feitas. Mais da metade dos votos nas eleições para as cadeiras do Pará no Senado serão considerados nulos com a decisão definitiva para Jader e Rocha.

Maluf. Mas essa decisão, que demorou mais de sete horas para ser tomada, não vale para casos distintos, como de Paulo Maluf (PP-SP), barrado por ter sido condenado por órgão colegiado, ou de Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), impedido de se candidatar porque foi condenado pela Justiça Eleitoral por compra de votos. Esses casos ainda serão julgados e poderão ter resultado distinto.

A saída encontrada pelos ministros para escapar do empate foi discutida na terça-feira em sessão reservada entre sete ministros. Mesmo com o acerto prévio, antecipado pelo Estado, o plenário se dividiu. No fim, amparados num dispositivo do regimento interno do tribunal, os ministros decidiram que, em caso de empate, prevalece a decisão questionada, no caso a do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou a candidatura de Jader Barbalho. Ele renunciou ao mandato de senador em 2001, quando enfrentava acusações de desvio de verbas na extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e mantinha um confronto com o então senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Ficção. A saída, admitiu Peluso, gerou um resultado fictício. 'É uma decisão artificial', afirmou ao fim do julgamento. A alternativa foi submetida a voto e foi aprovada por sete votos a três. Para evitar embates como ocorrido na primeira vez em que o STF discutiu a Lei da Ficha Limpa, quando o interessado era o ex-senador Joaquim Roriz, Peluso tentou acelerar o julgamento. Após o voto de Joaquim Barbosa pela aplicação imediata da lei, o presidente questionou se algum ministro teria alguma consideração a mais a fazer, já que todos os votos já eram conhecidos. Mas a tentativa foi frustrada.

Mendes. O clima esquentou quando o ministro Gilmar Mendes acusou o TSE de julgar processos de forma casuística. Ele chegou a levantar a voz no plenário e falou até em nazifascismo. 'Não podemos em nome do moralismo chancelar normas que podem flertar com o nazifascismo', disse. 'Estamos realmente vivendo dias singulares, heterodoxos em termos de direito. Sem dúvida nenhuma, chancelar a aplicação da lei nesse caso, 9-8 anos decorridos, é, com as vênias de estilo, a barbárie da barbárie.'

Para Gilmar Mendes, se a lei tivesse sido aprovada em outro momento que não o eleitoral, ela seria outra. 'Muito provavelmente num quadro de normalidade, num ambiente pós-eleitoral, o Congresso faria uma outra lei, com as devidas cautelas.' Segundo ele, a interpretação de que a lei vale para a eleição deste ano deveria ser repelida dos pontos de vista constitucional, hermenêutico e político.

Limites. O ministro citou decisões anteriores do STF que repudiaram a aplicação retroativa de leis. Ele disse que o ideal seria que a Justiça Eleitoral interviesse menos no processo. E alertou para a necessidade de existirem limites à atividade do Congresso. 'Considerando que essa lei apanha fato muito anterior, vamos estar assentando que não há limites para o legislador.'

O presidente do STF, Cezar Peluso, também opinou. Disse que para ele a lei não chega a ser casuística. 'Essa é uma lei personalizada porque atinge pessoas determinadas, conhecidas antes de sua edição.'

26 de out. de 2010

Dilma mantém vantagem de 12 pontos sobre Serra no Datafolha


A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff manteve a vantagem, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 26. De acordo com o levantamento, a petista tem 56% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos) contra 44% de José Serra (PSDB). Os números em votos válidos são os mesmos registrados na pesquisa anterior, realizada no dia 21.

Votos válidos

Já no total de intenções de voto, a oscilação foi pequena. Dilma passou de 50% a 49% e Serra foi de 40% a 38%. 5% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 8% dizem estar indecisos.

No Sudeste, Serra caiu três pontos percentuais e registra 40%, contra 44% de Dilma. No Sul, ele ainda lidera, por 48% a 41%. No Nordeste, a diferença continua em 64% a 27%.

A pesquisa foi realizada no dia 26 de outubro com 4066 eleitores em 246 municípios em todos os Estados do País e está registrada no TSE sob o protocolo 37404/2010. A pesquisa foi contratada pela Globo e pelo jornal 'Folha de S.Paulo'. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.