28 de dez. de 2010

Rosalba anuncia mais sete auxiliares para o Governo



A governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) divulgou no início da noite desta terça-feira (28) mais sete nomes de auxiliares que irão compor a administração estadual, a partir do dia 1º de janeiro de 2011. As pastas de Segurança e Saúde ainda estão indefinidas.

Os novos auxiliares irão ocupar as secretarias de Turismo, Tributação, Justiça e Cidadania e a nova pasta criada para a Cultura, além de outros órgãos da administração estadual. São eles:

Secretaria de Estado do Turismo (SETUR) – Razmi Giries Elali
Graduado em Arquitetura e Urbanismo / UFRN- Empresário da área de turismo/hotelaria há 26 anos , e de empreendimentos imobiliários há mais de 34 anos. Cargos nas entidades turísticas: Ex-Presidente do Pólo da Via Costeira, Diretor da ABIH/RN e atualmente Presidente do SHRBS/RN - Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do RN.

Secretaria de Estado da Tributação (SET) - José Airton da Silva
Auditor do Fisco Estadual desde 1988. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Exerceu a diretoria da 5a Regional de Caicó; Subcoordenadoria Econômico-Fiscal (SIEFS); Subcoordenadoria de Fiscalização de Estabelecimentos (SUFISA) e Coordenadoria de Fiscalização (COFIS).

Secretaria da Justiça e da Cidadania (SEJUC) - Thiago Cortez Meira de Medeiros
Advogado, formado em Direito no ano de 2001; Especialista em Direito Público pelo Instituto Brasiliense de Direito Público – IDP (2003); Sócio do Escritório Prof. Esequias Pegado Cortez, Consultoria e Advocacia; Co-fundador do Escritório Pegado Cortez e Teixeira Nunes Sociedade de Advogados, que atua na área do Direito Internacional e tem sua sede em Lisboa, Portugal; Atua diariamente, há mais de 8 anos, nas áreas de Direito Administrativo, Municipal, Eleitoral e Civil. Participou da equipe de Transição da governadora Rosalba Ciarlini.

Isaura Amélia de Souza Rosado.Secretária Extraordinária de Cultura – Isaura Amélia de Souza Rosado -
Tem “dupla cidadania”. É natalense por outorga da Câmara Municipal de Natal e mossoroense por nascimento. Graduou-se em Ciências Sociais (UERN), é Mestre em Educação (UFCE) e Doutora em Sociologia da Educação pela Universidade de Salamanca, Espanha. Professora aposentada da UFERSA; exerceu a Presidência do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, da Fundação Cultural Capitania das Artes, da Fundação Jose Augusto e Fundação de Pesquisa do Estado. Foi Secretaria Adjunta da Educação do RN e Secretaria da Cidadania em Mossoró. É membro do Conselho de Cultura do Estado do RN e integra o Instituto Cultural do Oeste Potiguar. Tem contribuído com o movimento cultural nas artes cênicas com a criação dos autos. O primeiro, o de Natal, completa sua 12 edição, e em Mossoró o Auto da Liberdade e Chuva de Bala. Executou seminários fazendo uma releitura histórica sobre: Câmara Cascudo, Padre João Maria, Café Filho, Movimento Comunista de 35, Dix-sept Rosado, Osvaldo Lamartine, Othoniel Menezes, Literatura oral, Modernismo no RN, muitos dos quais foram transformados em publicações. Realizou o cadastramento das obras de arte do governo do RN e publicou o primeiro catálogo. Realizou o inventário do patrimônio cultural potiguar em 10 tipologias. Concebeu a coleção Leituras Potiguares; formou mais de 100 grupos parafolclóricos nas escolas e criou o programa Biblioteca Para Todos.

Agência de Fomento do RN (AGN) - João Augusto da Cunha Melo
Engenheiro Civil e já ocupou os cargos de Vice Diretor do Centro de Educação Técnica do Nordeste do Ministério da Educação (1972/1975); Diretor do Departamento Obras da então SUMOV – Superintendência Municipal de Obras e Viação, equivalente hoje à Secretário Adjunto de Obras da SEMOPI da Prefeitura do Natal (1979/1982); Superintendente da então SUMOV, equivalente hoje à Secretário da SEMOPI da Prefeitura do Natal (1982/1985); Diretor Técnico da COHAB - Cia. de Habitação Popular do Rio Grande do Norte (1986); Diretor Presidente da COHAB - Cia. de Habitação Popular do Rio Grande do Norte (1991/1993); Chefe de Gabinete da presidência do INDESP - Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto do então Ministério do Esporte e Turismo (2000); Diretor Presidente da ARSEP - Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Rio Grande do Norte (2004). Participou da equipe de Transição do governo Rosalba Ciarlini.

Instituto de Pesos e Medidas do RN (IPEM) – Carlson Geraldo Correia Gomes
Advogado pela UFRN, exerce o segundo mandato de conselheiro da OAB. Ex-coordenador jurídico da Agricultura, do ITERN. Atualmente é secretário do parlamentar da Câmara Federal e concluinte do curso de Pós Graduação em Direito Municipal- LFG.

Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN – EMPARN – José Geraldo Medeiros
Graduado em Zootecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mestre e doutor em Zootecnia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (EMPARN), com destaque nas áreas mais secas do semi-árido potiguar. Primeiro servidor de carreira da Emparn a assumir o cargo.

Fonte: Assessoria

Lula: o filho do Brasil que conquistou o poder e criou sua sucessora



 Luiz Inácio Lula da Silva fugiu da miséria do nordeste, trabalhou como torneiro mecânico, fundou um partido, chegou à Presidência em sua quarta candidatura e agora, transformado no líder mais popular da história do Brasil, entregará o cargo a sua "escolhida".

A "novela política" que é a vida de Lula já foi recriada em oito livros biográficos e no filme "O Filho do Brasil", que foi escolhido como candidato nacional ao Melhor Filme Estrangeiro para a próxima cerimônia do Oscar.

O filho mais famoso do nordeste deixará a presidência após oito anos no cargo com uma taxa de popularidade de 87% e a entregará a Dilma Rousseff, que era quase uma desconhecida no país até que ele a elegeu como candidata do Partido dos Trabalhadores (PT).

A transferência do poder será para Lula a coroação de uma vida que começou em um dia que nem ele mesmo sabe. Foi registrado como nascido no dia 6 de outubro de 1945, mas sua mãe, falecida em 1980, jurava que deu à luz no dia 27 do mesmo mês.

Seu pai, Aristides da Silva, era um lavrador analfabeto e alcoólatra que teve 22 filhos com duas mulheres: Lindu, mãe de Lula, e Valdomira, prima da Lindu.

Quando Valdomira tinha 16 anos, Aristides fugiu com ela do miserável município de Vargem Grande (hoje Caetés) rumo a São Paulo quando faltava um mês para que Lula nascesse.

Lindu e sua prole foi logo atrás e, após percorrer 3 mil quilômetros na caçamba de um caminhão, se instalaram em Santos, onde aos cinco anos Lula vendia tapioca e laranjas.

O futuro presidente acabou a escola primária em 1956, e em 1960 começou a trabalhar como torneiro mecânico.

Seis anos depois, entrou para o Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, e liderou o maior movimento operário da história do Brasil, em duros tempos de ditadura.

Em 1980, com a abertura política, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT), que nasceu trotskista e com os anos se inclinou para o perfil centro-esquerda de hoje.

Lula foi candidato à presidência em 1989, 1994, 1998 e 2002. Na sua quarta tentativa, chegou ao poder, mas já não como o desalinhado operário barbudo de punho em alto que pregava a "revolução", mas como um elegante político em trajes Armani que proclamava "paz e amor".

Seu primeiro golpe de efeito no governo foi estampar a cara africana do Brasil nas capas dos jornais. Lula percorreu as regiões mais pobres com seu gabinete, para que seus ministros, muitos de "berço de ouro", sentissem "o cheiro da pobreza".

Lula apostou pela ortodoxia econômica e pareceu não ter oposição durante seus primeiros dois anos de governo, nos quais seu discurso social teve mais peso que as conquistas reais.

Logo após, atravessou então um escândalo de corrupção que decapitou a cúpula do PT, e então surgiu o Lula pragmático, que se aproximou do centro e da direita e voltou a ser candidato presidencial em 2006, para ganhar outra vez.

Sua projeção internacional e a do próprio Brasil cresceram até limites inimagináveis, apoiadas na conquista de um país que em seus oito anos de governo tirou 28 milhões de pessoas da miséria.

Em 2008, Lula foi considerado como uma das 20 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Newsweek". Em 2009, os jornais "Le Monde" (França) e "El País" (Espanha) o nomearam "Homem do Ano".

Se por um lado se encontrou com diversos chefes de Estado e reis, Lula sempre falou a "língua do povo" com os brasileiros, criticada por acadêmicos que durante os oito anos criticaram sua falta de escolaridade.

Neste ano, em uma de suas apostas mais fortes, escolheu Dilma Rousseff como candidata do PT, envolveu-se na campanha como se fosse sua e comemorou a vitória de sua "escolhida" como a que alcançou em 2003.

Em 2014 poderia partir para sua "sexta" candidatura à presidência, mas ainda não dá pistas sobre isso. Um dia diz que existe a possibilidade e, em outro, que não fará "nem amarrado", porque seria "impossível" superar a si mesmo.
Fonte: Estadão

27 de dez. de 2010

Rosalba Ciarlini anuncia cinco novos secretários


A Governadora eleita do Rio Grande do Norte encaminhou nota à imprensa com mais uma parte do secretariado; Saúde e Segurança ainda estão indefinidos.
Secretaria de Estado da Infra-Estrutura SIN Kátia Pinto Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Possui uma experiência de doze anos na iniciativa privada. No serviço público ocupou a função de Diretora Técnica na Secretaria Municipal de Planejamento na administração da prefeita Rosalba Ciarlini (1997-2000), e Secretária de Desenvolvimento Territorial e Ambiental (2001-2004). Exerce por dez anos o cargo de Secretária do desenvolvimento Territorial e Ambiental, na prefeitura de Mossoró.
Secretaria de Estado da Educação da Cultura SEEC Betânia Ramalho Doutora em Educação integra o grupo de pesquisadores do Departamento de Educação da UFRN, pesquisadora do CNPq e exercia o cargo de presidente da Comperve na UFRN. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba (1979); Graduada em Tecnólogo em Estatística pela Universidade Federal da Paraíba (1978); Especialista em Estatística Educacional pelo CIENES / CHILE ; Mestre em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (1985) e Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Autônoma de Barcelona (1993). Foi Profª Adjunta do Centro de Educação da UFPB entre 1981 e 1994. Desde 1995 é Professora da UFRN, (Departamento de Educação). É também presidente da Comissão do Vestibular dessa mesma IES, desde 2003 aos dias atuais. Foi vice presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação -ANPEd, na gestão 2000-2002 e Presidente dessa mesma Associação no período 2003 -2005. Foi membro da Comissão Nacional de Avaliação da Área de Educação junto à CAPES, em diferentes períodos: 1997,1998, 2006 e 2008. Foi vice-coordenadora do Programa de Pòs-Graduação em Educação da UFRN (1996-1997) e Coordenadora no período 1998-2002. Nesse mesmo período foi Coordenadora do Fórum dos Programas de Pós-graduação em Educação das Regiões Norte e Nordeste. Atualmente é membro da Comissão de Especialistas do curso de Pedagogia e Normal Superior. (SESU/MEC). Atua nas seguintes áreas: Educação Básica, Ensino Superior, Pós-Graduação em Educação. Seus estudos e pesquisas se voltam para os seguintes temas: Formação e Profissionalização Docente; Processos de Ensino-Aprendizagem, Avaliação de Processos Formativos; Vestibulares; Docência Universitária; Políticas de Acesso e Inclusão aos estudos universitários. Professora titular da UFRN.

Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social SETHAS Luís Eduardo Carneiro Exerceu por quatro vezes o cargo de Secretário de Educação do estado do RN e uma vez cargo de Secretário de Educação do município do Natal. Foi chefe da Casa Civil no governo Garibaldi e Chefe da Casa Civil da prefeitura do Natal. Exerceu o cargo de Secretário de administração da prefeitura do Natal e durante 15 anos foi conselheiro do Conselho Estadual de Educação. É professor aposentado da UFRN.

Secretaria Extraordinária para Articulação com os Municípios SEAM Esdras Alves Consultor de administração da Confederação Nacional do Comércio, Secretário do Estado do RN do Governo do RN, em Brasília. Assessor parlamentar na Câmara dos deputados e assessor técnico do senado há mais de 20 anos.

Secretaria Extraordinária para Assuntos Relativos à Copa do Mundo 2014 SECOPA- e acumulando o cargo de Diretor Geral do Departamento de Estradas e Rodagens DER Demétrio Paulo Torres Engenheiro Civil e Engenheiro de Segurança do Trabalho, Curso de especialização em Engenharia Rodoviária, ex-secretário municipal de obras e infra-estrutura do Natal, por dois períodos. Já exerceu o cargo de diretor-geral do DER.

26 de dez. de 2010

Ciro Gomes fica fora do Ministério de Dilma Rousseff

 O deputado Ciro Gomes (CE) está fora do Ministério da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT). Ele havia sido convidado para a Integração Nacional há 10 dias, mas os desdobramentos das negociações com o partido dele, o PSB, acabaram por inviabilizar a nomeação. Os socialistas queriam mais duas pastas além da que seria ocupada por Ciro. Como não houve acordo, ele próprio pediu para não ser indicado formalmente para o governo.

Nesta segunda-feira (20), Dilma confirmou mais sete novos ministros, entre eles Alexandre Padilha no Ministério da Saúde, pasta que Ciro havia demonstrado desejo de ocupar. A escolha de Padilha para a Saúde também pesou na decisão do deputado em desistir de pastas no governo Dilma.

Para o lugar de Ciro na Integração, será indicado o atual secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho deverá ficar com a Integração Nacional. Ele é ligado ao presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
A outra pasta será a Secretaria de Portos, cuja indicação ainda será feita pelo governador cearense Cid Gomes, irmão do deputado Ciro Gomes.

O acordo foi formulado após uma série de conversas entre Campos e Cid. Numa reunião tensa na noite de domingo no Recife, o PSB chegou a ameaçar que não indicaria nenhum nome para o futuro governo. Segundo cogressistas , a governabilidade seria mantida no Congresso, mas o partido não teria “compromisso formal” com Dilma.

A pressão deu certo e as negociações foram retomadas durante a madrugada. No começo da manhã desta segunda, Cid e Campos decidiram que Ciro ficaria fora das indicações do partido. O líder do PSB na Câmara, Márcio França, o dirigente socialista Roberto Amaral e o governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande, também participaram das negociações.

Alencar insiste em estar na posse de Dilma, diz médico

O médico Roberto Kalil Filho revelou nesta tarde que o vice-presidente da República, José Alencar, cobra insistentemente da equipe do Hospital Sírio-Libanês uma forma de ele ir a Brasília e participar da cerimônia de posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, marcada para o dia 1.º de janeiro. Segundo Kalil, está descartada a possibilidade de o deslocamento até a capital federal ser feito por meio de um avião-UTI, mas, dependendo da evolução do quadro clínico, Alencar poderia comparecer à posse acompanhado de uma equipe médica. 'Ele fala nisso a todo minuto', disse Kalil.

De acordo com o médico, o vice-presidente já está há 24 horas sem hemorragia digestiva, o que não significa, porém, que o sangramento não possa voltar. 'Hoje ele não teria essa condição (de ir à posse)', afirmou.

A ida de Alencar a Brasília depende de seu quadro continuar estável durante a semana e da avaliação diária da equipe médica. A decisão só será tomada na sexta-feira, dia 31, véspera do dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passará o cargo a Dilma. 'Nós esperamos que ele esteja em condição de ir.'

Outro médico da equipe que atende Alencar, Raul Cutait, disse que o vice-presidente passou por nova sessão de hemodiálise na manhã de hoje. E confirmou que Alencar insiste em estar ao lado de Lula e Dilma no dia 1.º de janeiro. 'É o desejo dele. Deus queira.'
Fonte: Estadão

24 de dez. de 2010

José Alencar volta a ter sangramento e continua na UTI

O boletim médico divulgado no início da tarde desta sexta-feira pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, informa que o vice-presidente da República, José Alencar, 'voltou a apresentar sangramento no intestino em quantidade moderada nas últimas 12 horas'. Segundo o boletim, Alencar mantém-se clinicamente estável e continua na UTI do hospital. O boletim diz também que Alencar recebe transfusões de sangue e que está programado um procedimento de hemodiálise.

O boletim é assinado pelo diretor técnico Antônio Carlos Onofre de Lira e pelo diretor clínico Paulo Ayroza Galvão. A equipe médica de Alencar é composta por Paulo Hoff, Raul Cutait, Ademar Lopes, Roberto Kalil Filho e Yana Novis, Davi Uip e Miguel Srougi.

Ontem o vice-presidente recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente eleita, Dilma Rousseff. Alencar, que tem 79 anos, luta contra um câncer na região do abdome há mais de 13 anos. Na última quarta-feira, quando foi internado de emergência por causa de uma hemorragia no intestino, passou pela 17.ª cirurgia. Seu quadro de saúde tem se agravado nos últimos meses. Ele ficou internado por 24 dias, entre outubro e novembro.

Quércia morre aos 72 anos

Morreu na manhã de hoje aos 72 anos o ex-governador Orestes Quércia, vítima de câncer na próstata, de acordo com o hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Ele havia tratado da doença há 10 anos, mas o tumor reincidiu, o que o levou a desistir da candidatura ao Senado.

Segundo assessor de Quércia, o velório será realizado no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, a partir das 14h. O enterro está marcado para amanhã, às 9h, no Cemitério do Morumbi.

A morte do ex-governador de São Paulo ocorreu por causa de uma falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer. A doença teve início no intestino. De acordo com o médico Raul Cutait, Quércia respondeu bem ao tratamento com quimioterapia, mas depois de alguns meses o câncer voltou. "Esse câncer foi de manifestação rara e agressiva. Não havia mais nada a fazer", afirmou.

Por meio de uma nota de pesar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Quércia. "Nem sempre estivemos do mesmo lado na política, mas Quércia sempre foi da ala dos desenvolvimentistas, que pensam o País para além de seu tempo. Sua eleição para o Senado em 1974 foi um marco na luta pelo restabelecimento da democracia. Nesse momento triste, presto minha solidariedade a sua família, seus amigos e correligionários"

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi nesta manhã ao Sírio-Libanês prestar solidariedade à família do ex-governador do Estado. “Quércia foi uma pessoa muito importante na história política do País e teve papel importante na redemocratização do Estado na época do bipartidarismo. É um momento em que eu tenho de prestar carinho à família e temos de pedir orações a eles.” Alckmin comentou ainda a última vez em que visitou Quércia. “Estive com ele dois dias atrás e ele já não reconhecia as pessoas, estava bem debilitado.”


Carreira política

Presidente estadual do PMDB, Quércia deixa a mulher, Alaíde, e quatro filhos, além de R$ 117 milhões em patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral, muitas suspeitas de corrupção e nenhuma condenação em última instância na Justiça.

Natural de Pedregulho, pequeno município no interior paulista, Quércia foi para Campinas estudar jornalismo, direito e administração de empresas. Na cidade, iniciou sua carreia política como líder estudantil e vereador pelo então Partido Libertador. Com 28 anos, já no MDB, foi eleito deputado estadual e, dois anos depois, prefeito de Campinas. Neste período, surgiram as primeiras denúncias de corrupção, nunca comprovadas.


Elegeu-se senador em 1974, ano em que o MDB teve uma vitória expressiva – a legenda elegeu 16 senadores e aumentou a bancada na Câmara de 87 para 160 deputados. Era o primeiro sinal de descontentamento da população com a ditadura. Em Brasília, Quércia teve uma postura crítica ao governo de Ernesto Geisel. Em depoimento dado à Justiça em 1994, Geisel disse ter informações de que Quércia negociou com o governo militar para não ser cassado sob a acusação de sonegação e enriquecimento ilícito. Ele negou o fato ao jornal Folha de S.Paulo em 2002.

Na década de 80, com o retorno do pluripartidarismo, ajudou a fundar o PMDB e, pelo partido, foi eleito vice-governador de São Paulo na chapa de Franco Montoro. Apoiou as Diretas Já e a condução de Tancredo Neves à Presidência no processo de redemocratização. Em 1986, sucedeu Montoro impulsionado pelo movimento apelidado de “quercismo”, onda de apoio por parte de eleitores fiéis a Quércia, principalmente no interior de São Paulo.

 À frente do governo paulista, enfrentou uma série de acusações de enriquecimento ilícito, estelionato e importação superfaturada de equipamentos de Israel para universidades, fraude em licitação e contratação sem concurso público pelo extinto Banespa e pela Cetesb. Foi responsabilizado, ainda, pela quebra financeira do Estado por diversos setores da sociedade. Quércia, cujo mandato terminou em 1991, nunca foi condenado em última instância em nenhum processo.

As frequentes denúncias de corrupção que recaíam sobre Quércia motivaram a ruptura com lideranças do partido. Foi assim que Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, entre outros, fundaram em 1988 o PSDB, legenda que anos mais tarde voltaria a ser apoiada por Quércia. A exceção foi Ulysses Guimarães, que permaneceu fiel ao PMDB até sua morte, em 1992. A disputa interna na legenda, então, passou a ser contra Michel Temer, presidente nacional da sigla e vice-presidente eleito na chapa de Dilma Rousseff.

Depois de deixar o governo de São Paulo, Quércia tentou, mas nunca mais conseguiu se eleger a um cargo público. Mesmo assim, viu seu patrimônio crescer 562% entre 1998 e 2002 com suas empresas no ramo imobiliário (shoppings e fazendas) e das comunicações (rádios, jornal e emissoras de TV. Na declaração de bens publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2010, o então candidato ao Senado disse possuir R$ 117.479.196,24.

Em 2002, o então pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva ganhou o apoio de Quércia e, com isso, do PMDB paulista, ao dizer que desconhecia qualquer condenação por corrupção do ex-governador. Depois de muitas brigas – perdidas – por mais espaço no governo, Quércia rompeu com o presidente Lula e passou a chefiar a ala oposicionista do PMDB em São Paulo.

Em um acordo com o PSDB nas eleições de 2008, Quércia apoiou o candidato de José Serra à prefeitura de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. Com isso, pôde se candidatar ao Senado na chapa tucana nas últimas eleições, em outubro. Seus planos, porém, foram interrompidos e ele retirou sua candidatura para se dedicar ao tratamento contra o câncer.