O ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou tranquilidade nesta terça-feira, 1, em relação ao impacto da crise política nos países do Oriente Médio e do Norte da África. 'Por enquanto, a crise é limitada', afirmou o ministro durante entrevista ao programa 'Conta Corrente' da Globo News.
Mantega ponderou que a crise, por ora, afetou apenas países pequenos. 'O importante é que não atinja a Arábia Saudita', afirmou, referindo-se a um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O ministro destacou que o Brasil é autossuficiente em petróleo, importando apenas alguns derivados, mas reconheceu que a crise pode ter um impacto maior nos países europeus que começam a se recuperar da crise.
Ao ser questionado sobre eventuais gargalos na infraestrutura brasileira que podem atrapalhar a continuidade do crescimento do Brasil, o ministro disse que todos os investimentos do governo em infraestrutura estão sendo mantidos, apesar dos cortes anunciados no Orçamentos de 2011. 'Os investimentos vão continuar crescendo no Brasil. Não vai ter ponto de estrangulamento', disse Mantega, citando as áreas de portos e energia.
Corte e Bolsa Família
Para o ministro, não há conflito no anúncio de um reajuste para os benefícios do programa Bolsa Família no mesmo momento em que o governo faz um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011.
Segundo ele, o reajuste do Bolsa Família já estava previsto nas contas do governo. 'Os programas sociais têm de sofrer correções que já estavam na conta', afirmou.
Questionado sobre os aportes do Tesouro Nacional ao BNDES, Mantega informou que os recursos neste ano serão menores do que os destinados em 2010 e que o banco cobrará juros maiores do que os cobrados dos empresários no ano passado, o que indica subsídios menores.
Ao ser indagado se o aperto fiscal do governo neste início de ano abriria espaço para cortes na taxa básica de juros no segundo semestre deste ano, Mantega concordou. 'Abre caminho. Ao fazermos uma política fiscal com um pé menos (forte) no acelerador, pode haver mais equilíbrio', disse. Mantega destacou que o importante é a criação de condições para que a economia brasileira continue crescendo e preservando o poder de compra dos brasileiros.
Mudança de atitude
O ministro negou que sua atuação no governo Dilma Rousseff seja diferente da que tinha na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, o que mudou foi a conjuntura mundial.
Nos últimos anos do governo Lula, teria sido necessário reativar a economia, que sofria os efeitos da crise financeira global. 'Agora a economia está caminhando com as próprias pernas. Podemos diminuir estímulos que tinham sido dados. A economia pode continuar crescendo com impulso privado, não público', explicou.
Ao comentar o movimento de alta da inflação, Mantega destacou, em primeiro lugar, que a inflação é um problema mundial, não apenas brasileiro. 'A principal causa da inflação é a alta de commodities agrícolas', afirmou, lembrando altas expressivas do trigo e do milho em 2010.
Em seguida, o ministro disse que a alta dos índices em janeiro está associada a movimentos sazonais, já que as tarifas de ônibus são reajustadas neste mês, assim como as mensalidades escolares. 'Mas os preços dos alimentos está caindo fortemente', afirmou, referindo-se aos indicadores de preços divulgados mais recentemente.
'Daqui para a frente, a inflação vai continuar a cair', disse o ministro, apostando que o Brasil pode ter neste ano uma trajetória de inflação semelhante à de 2010, quando os preços subiram nos dois primeiros meses do ano, começaram a cair em março e ficaram perto de zero de abril a junho