Cachoeira depõe à CPI, mas se recusa a responder
Cachoeira depõe à CPI, mas se recusa a responder
Chamado a depor pelo presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), Cachoeira disse que ficaria calado por orientação dos advogados, como já era esperado. “Estou aqui como manda a lei, mas não falarei nada. Constitucionalmente, fui advertido pelos meus advogados para não falar nada e não falarei nada aqui. Somente depois da audiência com o juiz (...) aí pode me chamar que virei aqui para falar e responderei a qualquer pergunta”, afirmou.
Sobre depoimento de Cachoeira, Walter Pinheiro (BA), líder do PT no Senado, disse que quer "juntar os pontos entre o que ele diz e o que está nos autos". No entanto, a todas as perguntas, Cachoeira responde que usa o direito constitucional de ficar calado.
Cachoeira até se recusou a responder como estava sendo tratado na penintenciária da Papuda. O deputado Rubens Bueno (PPS-PR) também fez peguntas sobre as relações da Delta e o bicheiro, sobre a relação dele com Henrique Meirelles (ex-Banco Central). E Cachoeira só repetiu a frase: "Calado, vou suar o meu direito constitucional de ficar calado". "Só queria encerrar dizendo ao senhor Carlos Augusto, parodiando um episódio aqui, Carlos Augusto, nós não somos teu", disse Bueno em referência à troca de mensagens entre o petista Cândido Vaccarezza e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), na semana passada.
Carlinhos Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro pela Operação Monte Carlo da PF, e é acusado de comandar um esquema de exploração de maquinas de caça-níqueis. Apesar da tentativa da defesa de adiar seu depoimento pela segunda vez, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o comparecimento de Cachoeira aconteceria nesta terça-feira. Dois carros do departamento penitenciário da Papuda e um da Polícia Federal escoltaram a viatura com o empresário goiano, pelo trajeto de cerca de 25 quilômetros.
O primeiro adiamento aconteceu há uma semana, quando o ministro Celso de Mello acatou os argumentos da defesa de que Cachoeira não podia depor, porque não teve acesso aos inquéritos que o investigam.
Após essa decisão do STF, o advogado Márcio Thomaz Bastos teve acesso à investigação, mas argumentou em seguida que precisava de mais tempo para analisar o grande volume de documentos: 15 mil páginas. O argumento não foi aceito pelo ministro Celso de Mello desta vez.
Porém, mesmo sendo obrigado a comparecer à CPI, a tendência é de que o contraventor não responda aos questionamentos dos parlamentares, segundo seu advogado.
Principal protagonista do escândalo que pode levar à cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e já jogou suspeitas sobre os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).
Nesta terça-feira, o advogado de Demóstenes informou que Cachoeira, principal testemunha arrolada na defesa do senador no processo do Conselho de Ética, não deverá comparecer ao depoimento previsto para esta quarta-feira.
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