23 de out. de 2010

'Não vamos nos intimidar', diz Serra na TV após tumulto


Após a polêmica sobre a agressão sofrida no Rio de Janeiro na quarta-feira, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, usou na tarde desta sexta-feira, 22, seu programa eleitoral na TV para enviar um recado à adversária petista Dilma Rousseff: 'Não vamos nos intimidar.' Com depoimentos de testemunhas e imagens da caminhada no Rio, a campanha usou praticamente todo o espaço para explorar o incidente e criticar os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da campanha petista.

'Esse não foi mais um acidente de campanha, foi simbólico. Não é a primeira vez e não foi só nesta eleição', reforçou o tucano. A campanha trouxe os depoimentos do pastor evangélico Paulo César Gomes, do médico que atendeu Serra, Jacob Kligerman, e da entrevista do perito Ricardo Molina à TV Globo. 'Serra foi atingido duas vezes por objetos diferentes', afirmou o perito.

A campanha listou os episódios em que petistas teriam agredido adversários, como o de 2000, em que o ex-governador Mário Covas foi agredido por manifestantes, e uma tentativa de impedir Serra de fazer campanha em 2004, quando disputava a Prefeitura de São Paulo, além de um discurso do ex-ministro José Dirceu em que diz que os tucanos 'têm que apanhar na rua e nas urnas'. 'O Brasil precisa escolher um presidente que respeite a democracia', afirmou a apresentadora.

Serra também criticou os comentários do presidente Lula sobre o incidente e o acusou de misturar governo e campanha. 'O presidente não pode atropelar a lei', disse. Ontem, Lula acusou Serra de ter praticado uma 'farsa' e chegou a usar expressões como 'mentira descarada' ao se referir ao caso. O presidente comparou ainda o candidato tucano ao ex-goleiro Roberto Rojas, que em 1989 fingiu ter sido atingido por um foguete no Maracanã, suspendendo a partida entre Brasil e Chile pelas eliminatórias.

Nesta sexta-feira, a campanha de Dilma voltou a mostrar a cena em que uma bolinha de papel atinge a cabeça do tucano, mas não menciona a segunda situação, em que o candidato é atingido supostamente por um rolo de fita adesiva.

A campanha petista apostou ainda na presença do presidente Lula para ligar os tucanos às privatizações. 'É preciso a gente ficar de olho aberto porque se descuidar aquela turma de sempre vai querer privatizar o pré-sal. Eles só sabem governar assim: vendendo o patrimônio do povo', afirmou o presidente.

O programa lembrou que na próxima semana começa a exploração da camada pré-sal na Bacia de Campos e que os recursos serão investidos em ciência e tecnologia, cultura, meio ambiente, educação, saúde e combate à pobreza. 'Aquele Brasil enfraquecido, dependente, endividado, sem planejamento e cheio de incertezas ficou para trás', afirmou a candidata, que chamou o pré-sal de 'passaporte seguro para o futuro'.

'Para que o Brasil se torne de verdade uma potência mundial, a gente precisa garantir duas coisas: primeiro que o pré-sal não seja privatizado e, segundo, garantir que os recursos gerados pelo pré-sal sejam bem distribuídos a todos os brasileiros. Essa é a minha grande preocupação e da Dilma também', afirmou Lula.

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