Durante o período eleitoral, eles costumam chamar muita atenção nas caminhadas e comícios. Em ruas, sobre passarelas ou guiando carros, por onde se passa, é possível vê-los. Nunca estão sozinhos, mas nem sempre sabem quem são aqueles que estão ao seu lado. No entanto, a descrição não se refere aos candidatos e sim das inúmeras pessoas que trabalham nas campanhas, agitando bandeiras, distribuindo panfletos e adesivos, cantando os jingles e dançando em torno daqueles que, muitas vezes, nunca viram e talvez não veja mais após o pleito. Por trás dos rostos e nomes dos candidatos, centenas de anônimos movimentam o período que antecede o pleito e, depois de ajudar a dar vitória à alguns, esperam para serem anônimos nas próximas eleições.
Natural da Venezuela, o estudante Jesus Eduardo Guerreiro, 21 anos, trabalha para a coligação Força da Vitória e se reveza com as bandeiras da candidata ao governo do estado. Rosalba Ciarlini (DEM) e os candidatos ao Senado Federal, José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Alves Filho (PMDB).
Demonstrando que não tem apego a nenhum político, mas às garantias financeiras, Jesus disse que há dois anos, atuou ao lado da então candidata à prefeitura de Natal, Fátima Bezerra (PT). "Para não ficar em casa e ganhar um dinheiro extra, eu prefiro estar aqui. Recebemos por semana e dá para curtir o fim de semana com os amigos. Não é muito dinheiro, mas dá para se virar", declarou.
Para Alexandre Wagner Bezerra de Medeiros, 28 anos, trabalhar em campanha já está se tornando uma profissão. "Trabalho com isso desde os 17 anos e todo ano de eleição estou aqui. Já trabalhei muitos anos com Wilma de Faria e Fátima Bezerra e agora estou com Rosalba", afirmou Alexandrer, que ajuda na coordenação das 37 pessoas que atuam na campanha da candidata. Segundo ele, apesar do cansaço, o trabalho é divertido em muitas horas. "A gente brinca, dança, faz amizades. Seguimos o mesmo ritmo do candidato e é muito cansativo. Mas é bom, melhor do que ficar em casa. Além disso,toda nossa alimentação, banho, é por conta da campanha. Ajuda muita gente", disse.
Outra que milita desde a adolescência é Robéria Oliveira, 40 anos, e sempre esteve inserida nas campanhas políticas.
"Voluntários" por gratidão e admiração
Se alguns trabalham nas campanhas apenas por dinheiro, outros de declaram voluntários e dizem que fazem por gratidão e admiração. É o caso da pensionista Francisca Rodrigues da Silva, 55 anos, que não abre mão de caminhar ao lado do candidato José Agripino. "Não recebo nada. Trabalho porque gosto, porque sei que ele é um homem de bem e tenho uma enorme gratidão pela família dele. Há muitos anos o pai dele, Tarcísio Maia estendeu a mão ao meu pai quando ele precisou. Não posso esquecer isso. Além disso, Agripino foi um bom prefeito, um bom senador e tem ideias boas", declarou. Mas Francisca não trabalha só. Sua família inteira está mobilizada na campanha de José Agripino e Felipe Maia, além de outros candidatos apoiados por eles. Pela casa há cartazes e panfletos por todos os lados. Até o neto dela, o pequeno Mathes, 3 anos, está empenhado para a vitória dos democratas. "Ele sabe todas as músicas e adora José Agripino. No total, são dez pessoas da família trabalhando. Peço materiais de divulgação e a gente mesmo distribui", afirmou.
Diário de Natal
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